Ao mesmo tempo em que fortalece a defesa digital, a IA amplia a sofisticação dos ataques cibernéticos, impondo às empresas um novo paradigma de risco […]
Ao mesmo tempo em que fortalece a defesa digital, a IA amplia a sofisticação dos ataques cibernéticos, impondo às empresas um novo paradigma de risco e responsabilidade.
A tecnologia muda a forma como aprendemos, vivemos e nos relacionamos uns com os outros. Mas não só: também transforma as relações econômicas e empresariais. Cada revolução tecnológica impacta de maneira intensa e profunda a cultura, a sociedade e, inevitavelmente, a dinâmica dos negócios.
E essa transformação não é de difícil percepção. Se, nos anos 2000, a internet de banda larga, o surgimento das redes sociais – como Orkut e Facebook – e as câmeras digitais redefiniram a forma como vivemos e consumimos, agora é a Inteligência Artificial o principal vetor de mudança da sociedade contemporânea.
Desde 2022, quando ela se popularizou, muito em razão da OpenAI com o ChatGPT, a realidade já mudou significativamente. Postagens em redes sociais, produção de textos e até mesmo vídeos e áudios, que antes demandavam horas de trabalho, agora são realizados em poucos segundos com meia dúzia de comandos.
Não apenas a vida privada foi impactada, mas também o ambiente corporativo. A IA generativa, sem sombra de dúvidas, veio para transformar o cotidiano das empresas. Com sua elevadíssima capacidade de processamento de dados, é capaz de executar tarefas que, inicialmente, sequer haviam sido programadas para isso. E é justamente aqui que reside tanto o seu potencial benéfico quanto o seu risco.
Isso porque na mesma medida em que pode ser aliada nos negócios – facilitando atividades, aumentando a produtividade e reforçando a segurança cibernética -, também é uma ferramenta poderosa nas mãos de cibercriminosos, possibilitando ataques cada vez maiores, frequentes e imperceptíveis.
Nesse cenário, os dados do World Economic Forum confirmam essa dualidade, já que mais de 70% das empresas relataram aumento nos riscos cibernéticos organizacionais e 47% apontam como principal preocupação os avanços impulsionados pela IA generativa.
Os cibercriminosos, por meio da IA, potencializam e sofisticam a ameaça digital. Se antes os ataques eram manuais, lentos e de fácil detecção, hoje são rápidos, altamente impactantes e quase imperceptíveis.
Os números da Netscout Systems reforçam esse cenário: apenas no segundo semestre de 2025 foram registrados mais de 8 milhões de ataques DDoS no mundo, sendo mais de 1 milhão na América Latina, com o Brasil, de forma preocupante, liderando o ranking.
Além disso, o perfil dos alvos demonstra que não se trata de ataques a empresas aleatórias. São empresas de setores estratégicos para o mercado brasileiro, como telecomunicações sem fio (com 114.797 ataques), infraestruturas de computação e hospedagem (47.897), operadoras de telecomunicações com fio (34.051), além de comércio atacadista de equipamentos para escritório (6.515), transporte rodoviário de cargas (6.367) e bancos (5.583).
Tendo em vista esse cenário, não surpreende que os investimentos em cibersegurança estejam entre os principais de grandes corporações. A projeção da International Data Corporation (IDC) estima gastos de aproximadamente US$377 bilhões até 2028.
Portanto, a cibersegurança deixou – há muito tempo – de ser apenas uma preocupação acessória de grandes instituições. O problema é que na mesma medida em que as empresas investem no setor, os cibercriminosos evoluem e potencializam, maximizam e tornam imperceptíveis seus ataques ao usarem a IA.
E os principais ataques são por meio de quebra de senha, antes limitada pela capacidade humana, com a capacidade de processamento da IA, ela consegue testar milhares de combinações em segundos. Os deepfakes conseguem manipular sons e imagens de altos executivos de uma forma altamente convincente. Já o malware adaptativo consegue modificar e reescrever códigos de segurança em tempo real.
Mas não é só. O dilema no uso da IA em cibersegurança se amplia ao analisarmos seus benefícios. Isso porque a tecnologia proporciona soluções altamente eficazes, que podem identificar vulnerabilidades no sistema em questão de segundos, conseguem monitorar as redes de modo ininterrupto, automatizam análises e podem, de fato, elevar a proteção digital.
Sem sombra de dúvidas a inteligência artificial transformou a cibersegurança – tanto para aumentar o nível de segurança, quanto para intensificar ataques. E, nesse cenário, não basta acreditar que ela, por si só, resolverá um problema que ela mesma ajudou a ampliar.
É importante compreender o seu uso estrategicamente, já que a diferença não está na tecnologia em si, mas na forma como ela é utilizada, não bastando a mera omissão como opção viável.